Como começou a minha trajetória cultural
A escolha do caminho a seguir enquanto profissional tem raiz forte da educação que recebi de meus pais e avós vivendo em Muritiba, Recôncavo da Bahia. Em casa com meu avô vaqueiro aprendíamos desde a lida com o gado, passando pelo plantio, criação de animais até a cura dos males físicos e espirituais com as benzedeiras locais. As trezenas de Santo Antônio era o ponto alto das nossas tradições, a casa lotava, a fartura era expressiva na mesa lotada de comida típica... e ainda tinha o São João, as quadrilhas, a Festa de Senhor do Bonfim, a lavagem, as cavalgadas, a festa do Divino com aqueles tapetes de pó-de-serra colorido, o 7 de setembro... em tudo estava presente, vestida a caráter e participando ativamente dos movimentos culturais. A minha mãe era zelosa pelas roupas de cigana, de noiva do casamento na roça, de matuta, de amazonas... eram tantas.
Com a primeira formatura em Educação Artística, briguei insistentemente nos colégios públicos e particulares pela nossa arte, ao invés dos consagrados do além mar. Mas foi em 1998 que comecei a trabalhar na área de cultura diretamente. Ajudei a construir e fui professora de arte da III etapa do Projeto para o Magistério Indígena na Bahia; em 1999 comecei a registrar profissionalmente as manifestações culturais do Brasil. Fui pesquisadora residente dos modos de vida e expressões culturais do Baixo Médio São Francisco do Programa Xingó, uma parceria entre a CHESF, CNPQ, Universidades Federais e outros órgãos de pesquisa. Por dois anos alimentamos um projeto maravilhoso para o fomento criativo e turístico da região, 29 municípios envolvidos. Foram mais de 4.000 fotos e uma quantidade expressiva de entrevistas; com o fim do Projeto Xingó segui para atender a demanda do Projeto Pró-Sararé e Pró-Vale, fazendo o levantamento da cultura material dos povos Nambikuara do Sararé e do Vale do Guaporé, FUNAI; saindo de lá atendi a demanda do levantamento do meio antrópico para a transposição do rio São Francisco para a CODEVASF, de Juazeiro até a divisa com o Piauí, passei por 6 municípios. Engravidei, parei momentaneamente e me tornei sócia da Mzad Eventos e como projeto de educação para a minha filha tinha o objetivo que ela conhecesse o país dela, assim por conta própria, quando ela completou 6 anos viajamos de carro pelos estados brasileiros de 30 a 60 dias por ano. Pelo caminho íamos registrando antropologicamente as tradições. Além das fotos, pequenos registros em vídeo, muitas entrevistas e muitos diários. A primeira escrita de Sophia foi um texto sobre a festa de cavalos na festa para Nossa Senhora em Neopólis, Sergipe, era 2010. Em 2014 resolvo voltar a estudar e entro no curso de jornalismo da Unijorge, no mesmo semestre que ganhamos uma licitação do Estado para fazermos um vídeo de 12 minutos sobre a crítica de arte Matilde Matos, resolvi fazer uma homenagem com os artistas falando sobre ela. Como o valor era excessivamente baixo para elaborar o que queria, aprendi a filmar e a editar na raça e fiz um documentário de 2h com a ajuda de uma pequena equipe. Apaixonei.
Dentro do curso de jornalismo, como atividade interdisciplinar, tínhamos que montar uma empresa fictícia. Eu e mais 4 colegas montamos a Revista Assum Preto que chegava com uma carga pesada da minha vontade e da minha experiência como empresária e como pesquisadora em cultura. Após a faculdade eles partiram por outros assuntos e eu levei a Revista nas horas vagas da administração da Mzad. A tornei contrapartida social da empresa, e meu sócio, Edvaldo dos Santos Passos, passou a me oferecer algum suporte, quando podia. Mas essencialmente, assumindo mais coisas da empresa para me deixar mais livre. Eu entendia que tinha que criar um banco de dados da cultura dos lugares por onde passava, principalmente da Bahia, por viver aqui. A intenção era termos registros históricos das pessoas que faziam a base forte da cultura do país: o povo.
Esses foram os trabalhos mais substanciosos, mas tiveram várias participações em pequenos projetos, em Ongs, em fundações, etc.

